
No princípio, era como um sonho, e depois, na medida em que se sonhava, mergulhado naquele "mundo", foi-se afastando aquilo a que chamam realidade.
Quando nos damos conta, a "verdade" é a realidade que se está vivendo. É a que conta.
Todos nós resistimos a acordar das ilusões.
Veste-se o "duplo", a máscara então. Por um lado, uma forma de ocultar-se na multidão, e assim, livrar-se das obrigações, repressões e impedimentos da vida, e por outro lado, esconder-se das dores, da sua própria verdade.
Tolice: não saber se libertar dos papéis, das amarras sociais.
A psicanálise se ocupa de quê? De curar ilusões?
Ilusão: engano dos sentidos ou da mente que faz com que se tome uma coisa por outra, que se interprete erroneamente um fato ou uma sensação. Falsa aparencia. Ilusão auditiva. Sonho, devaneio, quimera. Coisa efêmera, passageira. Logro, burla, engano. Invenção. Fantasia. Miragem.
Qual a sua verdadeira face? Anda! Me diz, eu não conto a ninguém, juro.
Transeunstes.. Intermináveis fotogramas de imagens corriqueiras e patéticas. Ares e olhares exultantes e medíocres na sua pose artificial de presença... Simulacros de gente! Todos Vocês!
Retire a sua máscara do cotidiano,
Deixe eu ver você,
Deixe!
Vivamos Todos, o grande Teatro da Vida!
( quem é você que lê minhas anotações inquietas? Quem é você? Revele-se a mim e só então eu posso me revelar a você)
E quando a sua máscara, persona, sobrevive a você? Você sabe? Não, não sabe.. Mas às vezes, a personagem mata a pessoa. É que às vezes, a personagem é tão mais interessante que a pessoa... E tirar a máscara é expor-se ao vazio de ser o que se é.
Máscaras...
Máscara: 1. Objeto de cartão, pano ou madeira, que representa uma cara, ou parte dela, e destinada para por no rosto e disfarçar a pessoa que o põe. 2. Para resguardo do rosto, na guerra ou na esgrima; 3. Molde que se tira do rosto dos cadáveres; 4. Pano fino com que as mulheres escondiam o rosto para ocultá-lo ou proteger a cútis; 5.Dispositivo metálico utilizado para a proteção de operários; 6. Atadura especial aplicada ao rosto como curativo;7. Camada de cosmético que se aplica à pele para o tratamento tópico; 8. Fisionomia, rosto, face; 9. Aparência enganadora, disfarce; 10. Reprodução estilizada de rosto humano ou animal, esculpida em barro, madeira, cortiça, papelão e guarnecida de pêlos, cores, etc. , com que os atores cobrem o rosto, ou parte dele, caracterizando seus personagens; 11. Expressão fisionômica do ator, a qual reflete o estado emocional da personagem que ele interpreta. (...)
A máscara... A máscara que esconde, que protege, que revela, que se confunde com a própria face...
Lembro agora que as crianças de minha família, todas tinham medo de máscaras. Houve um dia, em que João Vítor, então com dois anos de idade, entrou em uma loja de brinquedos e de forma alguma queria sair de lá. Pegamos máscaras, as mais horrorosas que encontramos e vestimos. Ele na mesma hora, correu, para fora da loja. Depois contava que a máscara havia "grudado" , aderido à minha face. Percebe? O seu medo não era da máscara em si, mas de que em um dado momento, eu não pudesse mais me separar da máscara. Ingenuidade? Talvez não...
Olhe para ela, a moça logo ali à sua frente... O que impede de que você, ao olhá-la veja toda a verdade que se encontra nela? A roupa que ela veste? A maquiagem que ela usa? A forma com que ela anda? Como poderia, ela, nua, ainda assim, dissimular? Despida até mesmo do olhar que julga, do olhar do outro, teoricamente, só então ela poderia deixar-se só, consigo mesma.
Pode ser que Platão não estivesse se enganado, pode ser que vivamos no eterno mundo das aparências...
"Pele negra, máscaras brancas" e o colonizado quer, cada vez mais, se parecer com o colonizador para deixar de ser, ainda que apenas aparentemente, um dominado, ou seja, afirma sua identidade, frente a ficção do modelo, e recusa a armadilha das mitologias... Usar a máscara para se afirmar em relação ao outro? A máscara formadora de identidade.
Fingir, falsear, mentir. Mentir para o outro? Ou mentir para si mesmo? " A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer"
E eu? Que máscaras eu uso? Sou como sou vista pelos outros? Sou como sou vista por mim? Quantos são os personagens represento?
É muito mais fácil falar da tal moça logo ali à frente. Àquela, refletida no espelho, como se ela não fosse minha imagem. A simulação da simulação. A máscara aderida à tez. A minha própria pele. A minha própria aparência. Contrária à realidade?
Identidade: o que faz com que eu seja exatamente o que sou? E não a outra, a cópia, a reprodução grosseira que está presa no espelho?
1.11.05
Máscaras
Posted by Fernanda at 3:38 AM
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2 Comments:
Enquanto lia, copiei alguns trechos lembram meus papéis:
"Mas às vezes, a personagem mata a pessoa. É que às vezes, a personagem é tão mais interessante que a pessoa..." COMO É FÁCIL FINGIR, mecanizar, plagiar, vestir-se da vestimenta favorita e agir conforme. O rídiculo é para quem vê, e inconscientemente para quem não é!
"( quem é você que lê minhas anotações inquietas? Quem é você? Revele-se a mim e só então eu posso me revelar a você)"
Li com todo o deleite, condenando cada centímetro de pele mascarada que possua na cutis.
"Como poderia, ela, nua, ainda assim, dissimular?" ( no sexo, mostramos o que?)
O sexo é meu mistério favorito, pois nõ se aprender a fazer, qdo é bom é espontâneo. Aliás, fiz um longo estudo sobre esta palavra.
Agora, lhe convido para ler a poderosa explosão sentimental ocorrida na noite de hj, horas antes de eu escrever estas palavras. A violência interna é gigante, mas fluiu. à noite vou postar.... sinta-se à vontade...
Baggio
"Máscaras" é o trabalho que fiz para o Mércuri. Que nota tirei? Não sei. Não faço a menor ideia e não tem a menor importância. O que importa é que pensei muito sobre o assunto e ajudei algumas pessoas a pensar a respeito também...
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