1.12.05

A descoberta

Olhou para um lado, depois para o outro. Viu uma multidão e sentiu-se sozinho. A velha e conhecida sensação: solidão. Não fora ela que esteve presente durante toda a sua infância, a adoelescência e não é ela que o espera na velhice? Terceira Idade.

Não, não poderia deixar que a melancolia dominasse mais um dia de sua vida. Seria muito. Seria Abusivo. Tentou então uma aproximação comum. Cotidiana, simples e talvez por isso mesmo, ignorada.

Então funciona? O óleo invisibilizador funciona! Foi provado. Ninguém mais o responde, ninguém mais o percebe, então... Simples, não está sendo visto! Tão óbvio e este tempo todo não havia percebido.

Imagine que coisa maravilhosa. Um produto capaz de fazer qualquer indivíduo deixar de ser notado, qualquer pessoa deixar de ser vista. Pensou que poderia vender a fórmula a uma grande indústria de... Cosméticos? Remédios? Não importa! De qualquer forma tornar-se-ia rico. Rico não, milionário... Melhor ainda! Venderia a fórmula aos terroristas, eles sim sabem como fazer um bom negócio. Eles sim saberiam como usar o produto da forma mais adequada: a destruição completa da humanidade! Porque não? Parece tão apropriado... E não seria nenhum crime, seria piedade. Apenas aproximaria esta massa chamada humanidade do seu terrível, porém inevitável... fim.

Repentinamente teve um lapso. Uma pequena fagulha incendiou seu pensamento. Ele não... Ele não lembrava da fóprmula. Como poderia ter esquecido? Estava ali, era evidente: funcionava! Pegou lápis, papel e calculadora. Refez todos os cáluculos. Precisou de uma tabela periódica. Continuou a calcular. Era possível, ele sabia, ele provara... Passaria o resto de sua vida invisível tentando reencontrar a fórmula, depois fiaria rico. Rico não, milionário e compraria tudo o que quisesse. Mas... Não, não poderia vender a fpormula aos terroristas, eles acabariam com a humanidade e então não faria sentido algum ser milionário. Melhor seria se vendesse a fórmula para os Americanos. Depois pensou... De certo modo ele mesmo também era americano. E se fosse um laboratório? Sim, um grande laboratório... É mais seguro, mais prático e eleainda ficaria com a patente.

Logo alguém aproximou-se dele. E com um sorriso nos lábios disse a antiga frase: "Oi, tudo bem?". "Tudo", foi o que pôde responder. A pessoa saiu, ele ficou, e chorou. Estava tudo acabado, mas não chorou por isso... Acostumou-se a imaginar, montar e desmontar pensamentos, raciocínios, ilusões. Isso tudo já lhe era habitual. Chorou porque mentiu. E naquele momento mentiu para a única pessoa a quem prometera não mais mentir.

2 Comments:

Anonymous said...

é impressionante como as vezes as mais simples palavras são as mais mentirosas... Aquelas frases impensadas, q saem sem nosso controle: "Tudo bem", "Q saudades", "Um dia eu te ligo", e até, pq não, "Eu te Amo"!
E a vida continua, e essas pilhas de mentiras sem sobrecarregam sobre nós? E o q nos tornamos? só o tempo dirá...
Mas é interessante como a mentira é sempre nossa companheira, por mais q não notemos...
E, afinal, quem sabe o q é a verdade nesse mar confuso q são os sentimentos?
Mas tem coisas q no fundo a gente sabe q não vai duvidar... É quando a gente para de "achar" q sente alguma coisas e passa a "saber" dessa coisa. Quando a gente para de "achar" q está tudo bem e "sabe" q está tudo bem... Quando a gente para de "achar" q ama alguém...
...Eu sei q te amo...
E isso tipo de saber não tem explicação, não tem como colocar em dúvida...
Algo é somente pq é, sem motivos para ser...
Meu amor por vc É... simples assim.

Bjus...

Fernanda said...

Sobre "A Descoberta":

Este é um texto escrito no cursinho, no ano de 2004, um ano em que escrevi muito pouco. No cursinho era comum que eu me sentisse um número a mais, nada além disso e este foi um dia em que eu me senti ainda mais invisível. Não me senti notada, até que recebi um cumprimento acompanhado de um abraço terno, gostoso. Despois deste abraço eu chorei em silêncio, escondida. Capturei este momento, e escrevi esta história.