
Não sou de guardar rancores e este é um grande defeito meu...
Escrevi com letras garrafais e colei por toda a parte asgrosserias que tu me disseste
Tudo isso apenas porque eu não sou de guardar rancores
E porque este é um grande defeito meu.
Roubaste meu pensamento,
Tu me diras que eu é que te ofereci, eu sei
Mas eu apenas quiz que tu os conhecesse,
Não que tu os fizesse teus.
Roubaste o meu amor,
Tu me dirias que não foi culpa tua, talvez
Mas se fosse apenas meu amor que tu tivesses roubado
Eu poderia até acreditar.
Roubaste meu orgulho,
Tu me dirias que eu é que roubei o teu, mentira
Mas tu ainda esperas que eu volte atrás
Como sempre fiz e faço.
Roubaste a minha esperança,
Tu me dirias que estou exagerando, verdade
Mas tu sabes como ninguem que exagerar a dor, o amor, a raiva, o medo..
Rende grandes poemas.
Não escrevo isto para que tu leias.
Escrevo porque é minha essencia e não copio nada de ninguém.
Escrevo para sempre lembrar das coisas que tu me roubaste e não tens planos de devolver.
Escrevo porque não sou de guardar rancores e este...
Este é um grande defeito meu.
26.12.05
Se o grito preso pode tornar-se arte...
Posted by Fernanda at 2:53 AM
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5 Comments:
"se eu roubei, se eu roubei seu coração..." não pude evitar de lembrar disso... hihihi...
mas sério agora...
Simples pergunta:
pq vc escreve?
liberar sentimentos numa folha de papel?
ou algo mais?
"tu roubaste, tu roubaste o meu também..."
"se eu roubei, se eu roubei seu coração"
Na grande maioria das vezes é para liberar sentimentos, mesmo. Mas tenho feito isso cada vez menos. O que eu escrevo aqui no Blog não é para isso. É um exercício de pretenções literárias.
Acho que quando escrevemos para apenas liberar coisas, não estamos fazendo arte. Arte é o que vem depois disso. É o que fazemos conscientemente.
Mas esta ainda é uma ideia em construção, e ainda não estou bem certa dela. E este texto, por exemplo, é pura sensação, e sensação real. Não era para ser literatura, como a maioria dos outros.
"é porque, é porque te quero bem"
"Acho que quando escrevemos para apenas liberar coisas, não estamos fazendo arte"
vc acha q isso se aplica somente à escrita literária ou a todas as formas de arte em geral? música e poesia, pricipalmente...
"Na grande maioria das vezes é para liberar sentimentos, mesmo."
sentimentos bons e ruins?
Vejamos então,Lex. Vou tentar dar respostas mais claras desta vez.
Eu disse que quando escrevemos apenas para liberar, colocar pra fora algo que é nosso e precisamos dizer, mas acabamos traduzindo em um texto, não estamos fazendo arte. Da mesma forma, o artista que tem tecnica, mas não cria nada de novo com a tecnica, está fazendo artezanato, ou macaquice mesmo, dependento da àrea em questão.
Imaginemos um pintor, ele estudou e conhece as tecnicas mais variadas para produzir suas telas, mas não cria nada de seu, apenas reproduz obras, refaz o que o artista criou.
Não há arte sem tecnica. Não há ator, músico, escritor, pintor ou arquiteto sem que haja o conhecimento e o interesse constante pelo aprimoramento de sua tecnica, de seu conhecimento. Mas ao mesmo tempo, é preciso colocar à tecnica algo a mais, que é o que o artista pretende transmitir ao espectador.
Toda arte é forma de expressão e por esta razão, precisa ser transmitida, compartilhada. No teatro, isso é um pouco mais visível porque conhecemos ator e platéia como dois elementos básicos da arte dramática. Um músico pode fazer uma música só para si, um escritor pode escrever dezenas de cadernos e não mostrar a ninguém, mas certamente, estes artistas não estão sendo generosos como entendo que um artista deve ser. Entregar a obra de arte ao público é um ato de generosidade, mas é antes disso, uma necessidade para o artista.
Em todos os meus cadernos de anotações, escrevi apenas para mim. Isso era positivo porque eu conseguia escrever textos com muito mais fôlego sem me preocupar com a lógica, com um possível leitor, ou coisa do tipo. Mas ao mesmo tempo, alguns dos meus cadernos eu nunca terminei, porque não havia sentido para isto. Curiosamente, quando comecei a permitir que eles fossem lidos, eu passei a produzir muito mais rápido. Passavam três meses e eu já tinha mais 100 páginas completas, decoradas e doadas. Mas ainda assim, o que eu escrevia era pura expressão. O intuito não era ser arte e portanto, não era. Neste sentido, acredito que a arte está na intenção.
O "Estive Pensando" tem uma proposta diferente. O que publico aqui é para ser literatura, é para ser arte. Há intenção em dividir. Há uma tecnica porque eu me preocupo com a estrutura dos textos, aplico o pouco que sei de gramática, sintaxe, ortografia. Faço o uso de figuras de linguagem, de tecnicas que a princípio eram frutos de pura intuição, mas que eu tento racionalizar.
E há um "aquilo que eu quero dizer", existe algo que está no texto, ou além dele que é aquilo que quero expressar;
Esta idéia de fazer literatura de verdade não é nova na minha vida, mas o fato de colocar a idéia em prática é novo.
É possível perceber quando escrevo sem preocupações com tecnica, aquilo que chamo de simples liberaração de sentimentos (bons e ruins, sim, mas na maioria das vezes ruins). No blog, este texto e aquele, "Paz" são exemplos disso. É uma escrita diferente, mas depois de uma releitura eu acabo pensando que é um texto que pode ser publicado,porque outras pessoas podem sentir esta mesma coisa que sinto, então não há porque não dividir. A diferença é que estes textos doem mais. Coloco-os aqui para que outras pessoas possam ler, mas eu mesma, ao menos enquanto o texto não esfria, não quero ler.
No fundo, apenas quem escreve pode separar, distimguir, tecnica, criação e inspiração em um texto.
Sobre "Se o grito preso pode tornar-se arte":
O texto diz a que ele veio. É um desabafo, não mais que isso. Escrevi para lembrar, para deixar vivo e para criar uma mágoa muito forte. Uma mágoa destas que nos impedem de voltar a trás.
O título diz sobre o motivo deste texto estar aqui no blog. Será que desabafos podem ser considerados literatura? Esta é a grande pergunta.
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