15.9.05

Anestésico

_ Não é incrivel como a internet é capaz de aproximar as pessoas? Você vive no seu mundinho e pensa que só você é assim e por isso fica se achando a pessoa mais estranha do mundo... Então um dia você entra na rede e descolbre que no mundo exite muita gente que se sente exatamente como você.. Você descobre que na verdade nunca esteve sozinho...
_Não... Com o passar do tempo você descobre que a internet não é capaz de diminuir a solidão, que nenhum artifício é capaz de fazer com que o vazio se torne menor, e que nada substitui um olhar, um toque, um abraço, um sorriso...
_ Mas então o que você fica fazendo tanto tempo conectado?
_ Eu fico me anestesiando.

(...)



Ela pede mais. Ela sempre quer mais. Aceitaria qualquer coisa que lhe prometessem que poderia fazê-la esquecer. Esquecer de si mesma, e dos amores antigos, aqueles que ela perdeu por não amar.
Uma outra dose. Será a ultima, promete. Desta vez tem que ser a ultima.
Tudo o que ela queria era poder não sentir. Mesmo que a escolha por não sentir dor faça com que ela também não conheça o prazer. Aceitaria todos os entorpecentes, todos os anestésicos.. Tudo.
Cansada do torpe solitário, ela sai a procura de um alguém, um qualquer alguém que possa fazer com que o vazio pareça menor. Então ela dança. Lúbrica: envenena ao primeiro olhar. Logo já está nos braços do estranho dos olhos claros (ou seria efeito da luz?). E ela se faz dele, impudentemente... Num amor suicida, consagra seu corpo àquele alguém sem nome.
E por um instante ela tem tudo. Para no minuto seguinte não ter mais nada. A noite não poderia durar para todo o sempre. O que é bom dura pouco, não é isso que costuma-se dizer? E aquela noite, lasciva, voluptuosa, de alguma forma completa, acabou tão logo!
Ela ainda pode sentir o toque, a boca ávida que sugava seu corpo.
Vai começar mais um dia. Ainda mais vazio que o anterior.. Perto do meio dia irá reler as cartas daqueles amores perdidos. Vai querer saber o que se passa agora na vida de cada um deles... E quando sair às ruas, estará procurando um olhar que corresponda ao seu.
Chegará mais uma noite.. E ela se comportará de forma ainda mais frívola. E ao fim da noite, irá nascer outro dia.
Mas à luz do dia tudo costuma ficar bem mais difícil... É preciso levantar e encarar o espelho. E se possível, ainda reconhecer-se nele.

1 Comment:

Fernanda said...

Sobre "Anestésico":

A primeira parte é uma conversa minha com a minha mãe, mas a ultima frase foi algo que eu pensei, mas não disse.

A segunda parte escrevi quando voltei de goiânia. Tentei escrever muitas coisas sobre a viagem, mas não consegui escrever sobre política, acabei escrevendo isso, inspirada em coisas que senti durante esta viagem.