5.11.06

Arte de Amar - Manuel Bandeira


"Se queres sentir a felcidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é o que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma. Só em Deus- ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não".

Eu


Eu comigo
Eu sozinha
Apenas com a minha respiração
com o meu corpo
com a minha cara
com a minha voz
com as minhas lágrimas
E o espelho ali
Me olhando e me dizendo:
Você não é.

****
Ontem eu li algo sobre a angústia que os poetas e artistas sentem e transformam em produção artística.

Estranhamente eu mesma nunca soube escrever sobre uma sensação gostosa.

3.11.06

Era outubro, e era inverno...


Apenas uma foto..
Para tirar as poeiras deste lugar.
Aguardem novas atualizações.

8.3.06

Mulheres

Mulheres, meninas, maravilhosas, Marias.
Magnânimas, meticulosas, milagrosas, misteriosas, Madalenas.
Vejam só que tolice: o ser humano ainda procura respostas para as suas perguntas... Sim, tolice porque, na maior parte das vezes, não há respostas.
Ainda assim, o Homem criou a ciência, com o intuito de explicar o que está a sua volta ( só fracassou ao tentar explicar a si mesmo). .Mas o Homem também criou a religião, para explicar àquilo que a ciência não sabia.... E inventou a guerra, para quando dois homens não concordassem sobre uma certa resposta. E este Homem inventou o dinheiro, a fim de tornar as coisas mais fáceis. E assim, o homem fez História.
E a mulher? A mulher não teve seu nome gravado nos livros de História, não enriqueceu por si só, não pôde lutar na guerra, não comandou religião alguma e tampouco descobriu alguma grande lei da física, da química, da matemática, da astronomia...
Mas a mulher estava lá, o tempo todo. E de alguma coisa ela precisava se ocupar... Então a mulher inventou o amor, e não satisfeita inventou diferentes formas de amar. A mulher separou o amor em categorias: em amor- paixão, em amor- ternura, em amor- compaixão...
Poucos foram os homens capazes de entender as sutilezas do amor. Alguns recorreram ao que conheciam, mas o amor não estava em nenhuma ciência, em nenhuma definição. E então, estes homens, mais uma vez para simplificar, chamaram o sexo de amor.
Outros, poucos, apenas ouviram as mulheres, e sem se perguntar porque deixaram-se ficar ao lado delas. Neste momento foi preciso criar uma coisa nova, que unisse a sistemática da consciência masculina à suavidade da emoção feminina. E juntos, os dois fizeram arte.

7.2.06

Nota:

Os dois últimos capítulos da novela foram editados. Como é uma história em construção pensei que não haveriam problemas. Na verdade só ouvi uma crítica muito construtiva e tentei melhorar. Espero que vocês gostem e continuem me ajudando por aqui.

Beijocas!

Desvendar-se

Despir-se diante de si mesmo,
Relaxar a ponto de simplemente não pensar,
Deixar o corpo falar mais do que a mente.

Por que coisas tão simples como estas são tão difíceis de colocar em prática?
Por que é tão difícil entregar-se?
A si mesmo, ao outro não importa...

Alguém já conseguiu parar de pensar, nem que seja só por alguns instantes?

...
É... Mulheres são seres confusos, estranhos.
Tem coisas que eu só queria entender um pouco mais, mas todos dizem que é preciso antes tentar sem companhia e isso me parece tão.. irreal.

...
Ninguém precisa entender o que eu quis dizer, não mesmo. Mas se algúem souber trazer respostas para perguntas tão vagas seria de imensa ajuda.

Na foto: Nátali Flor, fotografia tirada por ela mesma (talvez num exercício de auto-descoberta) e posteriormente editada por mim (talvez em mais uma tentativa de ocultar aquilo que era transparente).

28.1.06

Brincando de Amarelinha (5)

_ Do que é que tu fugia naquele dia, mulé?
_ Que dia, véio?
_ Naquele dia que nóis se conhecemu.
_ Ah, véio, isso já faiz uns cinquenta ano, tu qué que eu me lembre de que jeito? Nem lembro mais como foi que eu te conheci.
_ É claro que tu lembra... Tu num ia esquecê.
_ Mais esqueci. Num lembro mais de nada. Num dizem que quando nóis fica véio, os miolo cumeço a pifá e nóis começa a esquecê di tudo? Então?
_ Pára com isso mulé! Tu tá muito da lembrada que eu sei! Desimbuxa duma veiz!
_ Eu tava é fugindo da vidinha besta que eu levava. Era disso que eu fugia naquele dia.
_ Num me amola com essas história tua! Ninguém corre de vida besta! Ninguém pede ajuda e abrigo porque acha que a vida num tá das mior! Tinha arguém correndo atrás de tu naquele dia! Quem era? (ele a sacode com violência)
_ Era meu tio! Pronto, falei! Me solta! Me solta, anda! Tá me machucando!
_ E por que que tu fugia dele?
_ Porque ele me queria. Porque ele morava na minha casa desde quando largou a mulé e sempre me perseguia, me pegava nos canto. E eu num queria. Minha mãe fazia vista grossa, dizia que era minha curpa, meu pai nem sei se sabia. Só que eu num queria mais aquilo! E corri tudo que minhas perna pudia pra sumí de lá de uma veiz e dexá aquela vida. Naquela noite tu me disse que eu num precisava me explicá e eu num expliquei. Achei até bonito tu num querê sabê de nada. Mais agora tu num é mais aquele menino que num qué se metê, agora tu qué é sabê tudo as coisa que numa vida intera tu num foi capaz de descubri. Mas num te sobra tanto tempo assim, não , véio. Eu possu tá véia, eu posso num durá muito mais nessa vida desgraçada.. Mais num é diferente contigo.

(Ele não gosta de ouvir o que ela diz, mas compreende que são verdades. Saber daquilo fez com que ele sentisse alguma piedade pela mulher com quem dividira a sua vida inteira.)
(...)
_ Por que foi que tu nunca me contô?

_ Num contei porque o encanto que fazia tu diferente dos otro ômi desse mundo era isso de tu num precisá sabê di um nada. Tu tava ali, do meu lado e fazia de um tudo pra me vê feliz e nem se importava com os meu segredo... Num importava o que num tava ali naquela hora com nóis e isso era o que eu achava de mais bonito no nosso amor.
_ Então é isso? Tu contô uma das coisa que eu num sabia e o amor que tu tinha por mim
acabô? Daqui pra frente, mais nada?
_ Amor que é amor num acaba nunca, ou pelo menos foi isso que eu pensei essa vida intera. Nóis tamo é véio de mais pra pensar no que vai sê daqui pra frente. Dispois de tanto tempo, cum tanta ruga no corpo, nesse fim de mundo, num resta muita coisa a num sê lembrá do passado e essa é a pior coisa que pode acuntecê... Tem coisa que eu num queria lembrá, mais que num sai daqui de dentro da minha cabeça. Eu só sei que os dia vão passando, vão passando e eu num descubro como é que faiz pra tê uma vida mior do que essa dispois que tudo acabá.
_ Qué sabê, mulé? Eu penso é que nem tem otra vida, nada dispois. Só essa disgraça que nóis já conhece.
_ Mior até se num tivê mais nada. Assim pelo menos eu posso esquecê.

27.1.06

Brincando de Amarelinha (4)

(Ela descia a ladeira correndo o máximo que podia. Ele estava encostado na parede de uma das casas, vendo a vida passar).
_
Moço, ajuda eu, pelo amor de Deus.
_ Ajudá tu? Se tu me dissé como..
_ Pára de lero-lero e esconde eu em algum lugar, por favor.
(Por alguns instantes ele sente que seria melhor não se meter. Se ela estava fugindo deveria haver alguma razão forte, mas ele simplesmente não pode dizer não, não a ela)
_ Vem comigo.
(...)
(Ele a levou para os fundos de sua casa, para um barraco que agora era usado apenas para o depósito de madeira)
_ Brigada, moço. Eu acho que eu divia te explicá umas coisa.
_ Tu podi contá o que tu quisé, mais num tem obrigação não, moça.
_ Eu só num quero que tu tenha medo, que fique pensando que eu sô gente ruim, essas coisa.
_ Num precisa se preocupá.
_ Me sinto muito agradicida, de qualquer jeito, viu?
(...)
_ Num é a primera veiz que eu te vejo, sabia? Eu sempre via tu descendo a ladera... Tu usa uns vestido que parece ser dos tecido mais fino que já existe nesse mundo. Eu acho bonito.
_ É tudo tecido barato, é o que a maioria das moça daqui das redondeza usa..
_ Então vai vê é que tuas beleza é que fazim os tecido parecê mais leve, mais bonito.
_ Assim tu me dexa incabulada.
_Discurpa.. Num quero fartá com os respeito cum tu, não. Só queria que tu soubesse que eu te ajudei porque pra mim tu não era assim tão disconhecida.
_ Num tenho nada pra discurpá, não moço... Eu só tenho mesmo é que agradicê.

(...)
(Ele arruma um espaço no barraco para que ela possa descansar, reúne algumas almofadas e um lençol numa cama improvisada. Ela senta-se na cama e ele vê o joelho dela, machucado).
_ Machucô aí?
_ Um pouco só, é que eu caí enquanto corria.
_ Mior limpá isso aí pra num dá uma infecção.
_ Nem precisa.
_Precisa sim, péra um poco aí que eu já vorto.
(Ele sai e volta com um prato de comida e com adereços para fazer um curativo)
_ Eu trouxe isso daqui prá tu comê. Minha mãe que feiz, mais tu num precisa se preocupá não porque eu peguei na cozinha sem ninguém vê. Come e dispois nóis cuida das tua ferida.
(Ela comeu, e assim que colocou o prato de lado ele aproximou-se da ferida no joelho. Feito o curativo, ele ainda tocou a perna dela, com carinho. Ela não resistiu, e despiu-se para a surpresa dele. E assim os dois deixaram que seus corpos se descobrissem lentamente. Anoitecia, ela adormece e ele ainda sussurra olhando para ela:)
_ É mior mesmo eu num sabê do que tu fugia... Tu veio pra mim e só isso importa.

26.1.06

Melodia


"A paixão é como deus que quando quer me toma todo o pensamento
Dirige os meus movimentos meu passo é teu
Meu pulso é desse todo poderoso sentimento
A paixão é como deus que quando quer me toma todo o pensamento"

Eu sei bem, meu amor, que eu tenho essa minha mania de história triste, de final infeliz, de desilusões e de ilusões.
Eu sei também, meu amor, que você está sempre aqui, ao meu lado para mostrar que a nossa história a gente escreve. E este é um dos motivos que me faz amar você.
Ontem à noite, antes de dormir eu fiz uma lista com os motivos que tenho para amar você. Mas não é estranho como no fundo amamos sem motivos?
O que me perturba é que no fundo, nunca ninguém disse o que veio depois do "e foram felizes para sempre". Histórias de amor costumam ser contadas apenas até o primeiro beijo. Mas e depois? E depois de depois?
E se você estiver mentindo? E se for verdade que grandes amores são na verdade sexo? E se você um dia mudar de idéia sobre "o grande amor da sua vida"?
Rimar amor com dor é tão mais previsível...
Será que é por isso que eu me sinto tão confusa quando me deparo com esta estranha felicidade?

17.1.06

Brincando de Amarelinha (3)

(Ele senta-se ao lado dela e fica observando seu choro, sem forças para tocá-la. Ela que o sente por perto, mas não recebe o toque que almeja, olha para ele, seca suas lágrimas e nisto toca sua própria pele, examinando-a)
_ Tu tem razão. Eu tô véia. Minhas pele num tem mais o viço que tinha antis.
_ ....
_ Nun guento mais os guspe que sai quando eu falo! Nun guento mais trocá de pele!...Eu virei foi uma amexa seca.
_ Seco é teu coração, mulé, não teu rosto.
_ Meu coração secô di tanto tempo que vivi do teu lado. Meu coração secô porque o tempo foi passando, passando e apagando minhas beleza que te atraía. Tu parô de me querê e num sobro muita coisa pra curtivá no meu coração.
_ Nun fala assim, mulé... Tu sabe que eu num amei só teu corpo, tu sabe que eu te quiz mais que um tudo nessa vida.
(...)
_ Eu costumava gostá do meu corpo. Eu passava e já vinha os ômi tudo se empinando pro meu lado...
_ E tu, vadia que sempre foi, se aprovitava: passava a perna nos ômi tudo...
_ Ômi é tudo iguar mesmo.. Fazim di tudo por um bom rabo de saia..
_ Eu lembro inda da primera veis que te vi. Tu parecia que num andava, flutuava naquelas rua. Eu, moleque que era, já tinha visto muita mulé bonita, mais que nem tu... Que nem tu eu nunca tinha visto, e nunca mais vi nessa vida toda... Sabe que tuas perna num mudaro nada?
_ Tu acha, véio?
_ Eu nun acho não. Eu tenho mais é certeza...
( Ele a toca, e ela rende-se ao gesto de paixão. Ele não se sente capaz de tocá-la num gesto de simples carinho, mas não exita em possuí-la com todo o vigor que ainda lhe resta.)

Eterno Amor

Eu disse que levaria este amor comigo pro resto dos meus dias, não disse?
Menti?

Mentir sem saber-se mentindo reduz a culpa, ou apenas alivia a dor?

Quantas...Quantas repetições fazem uma verdade?

15.1.06

Brincando de Amarelinha (2)

_ Pára! (com uma faca apontada para ela) Tô de saco cheio das tua pergunta besta!
(...)
_ Tu sabe as resposta das tua pergunta! Tu sabe, mulé, agora num fica me perturbando!
(Ele respira fundo, larga a faca e enxuga o suor da testa com a camiseta)
(...)
_ Ninguém aqui é mais criança, mulé. Tu sabe mior do que eu disso. Tu foi que me fêiz dexá de sê criança, e eu num sô tão agradicido disso, não.
_ Num foi porque eu quiz, num foi... Tu sabe véio, tu sabe!
_ Eu tinha meus pensamento aqui na minha cabeça que eram tudo bom. Eram tudo pra fazê você mais eu feliz. Mas aí tu veio com aquelas história tua... E a minha inocência foi se perdendo, se perdendo e eu nunca mais achei.
_ Num tinha otru jeito... Eu não queria...
_ Num quria, mais tu fêiz. E eu ajudei. Dispois tu fêiz de novo, e de novo, e de novo!
_ Não! Eu num fiz mais!
_ Fêiz sim que eu sei. Nem pediu minha ajuda, mas fêiz.
_ Não! Eu não fiz! Eu não fiz! Não!
_ Agora tu veio com essas história do céu, porque tá cum medo. Porque tá véia já e sabe que num dura muito.
(ela nega, repete seu não em tom de oração durante toda a fala dele, por fim, suas palavras se convertem em pranto).

14.1.06

Brincando de Amarelinha (1)


_ Será que um dia a gente consegue ir pro céu?
_ Eu sei é que só entra no céu quem o ômi dexá...
_ Ômi? Que ômi?
_ O ômi, oras! O que manda abri a porta do céu!
_ E precisa de chave?
_ Precisa né! Se tem porta, precisa de chave!
_ E cumé que faiz pru ômi abri as porta pra gente?
_ Tem que fazê certin o que o ômi mandá!
(...)
_ Mais, qual tipo de coisa o ômi custuma mandá a gente fazê?
_ Ah, ele manda, ele manda a gente sê bom e não fazê mal prus otro, essas coisa.
_ Mas a gente é bom, né? A gente não faiz mal prus otro não, né?
_ Num sei, mior num se preocupá cum essas coisa antis do tempo certo.
_ E quando que é o tempo certo?
(...)
_ Quando que é? Como que a gente sabe que chegô o tempo certo?


12.1.06

Outra música...


Casa pré-fabricada:

(marcelo camelo)

"abre os teus armários
eu estou a te esperar
para ver deitar o sol
sobre os teus braços castos

cobre a culpa vã
até amanhã eu vou ficar
e fazer do teu sorriso um abrigo

canta que é no canto que eu vou chegar
canta o teu encanto que é pra me encantar
canta para mim qualquer coisa assim sobre você
que explique a minha paz
tristeza nunca mais

Vale o meu pranto
que esse canto em solidão
nessa espera o mundo gira
em linhas tortas

abre essa janela
primavera quer entrar
pra fazer da nossa voz uma só nota

canto que é de canto que eu vou chegar
canto e toco um canto que é pra te encantar
canto para mim qualquer coisa assim sobre você
que explique a minha paz
tristeza nunca mais..."

Sim, eu sonho com um mundo melhor...


Tenho certeza de que a maioria de vocês já parou para pensar no sentido de Liberdade e no quão libertos nós realmente somos. E não estou aqui para falar das definições de liberdade existentes, mas, pelo contrário, das prisões a que nos submetemos. Uma, em especial, a prisão da moral.Convêm aqui esclarecer que me refiro à moral como o pensamento do que é certo e errado, estabelecido pela sociedade. Regras e leis existem para propiciar um melhor convívio em sociedade e a elas não me oponho e, de fato as apoio. Mas, o que dizer das regras que a dita moral nos impõe?Moda, estilo, etiqueta, rótulos, preconceitos. Regras estabelecidas pela moral social, mas que são realmente necessárias para o convívio em sociedade? Dançar no meio da rua e roubar uma pessoa são igualmente ofensas ao convívio social? Pode parecer exagero, mas quem não condena a simples visão de pessoas dançando na rua, aparentemente sem motivo? Agora, o que me impede de sair usando uma cartola na rua? Alguns diriam que isto seria ridículo. Mas, o que torna isto ridículo agora e não a poucos anos atrás? Outra regra da moral social, a moda. E isto está intrínseco em cada um de nós. Não saímos de cartola pelas ruas porque nós não queremos assim, porque nós achamos deselegante, mas sim porque acham isto de nós! E por que nos importamos com isso? Porque nos atamos a nossa própria prisão moral. Estas “correntes de moralidade” não são colocadas somente (vejam bem, somente) pelos outros, mas sim, e principalmente, por nós mesmos.Mas, fujamos agora do assunto puramente visual e estético e vamos analisar nossas prisões mais interiores.Num mundo onde a rebeldia adolescente é tão comentada, geralmente não se percebe as limitações de ser um revolucionário nos dias de hoje. De maneira crua, podemos dizer que, para ser revolucionário, você tem que ser comunista. Se você se diz revolucionário, mas não acredita num governo “igualitário”, você não é um real revolucionário. Você é encaixado como um “pseudo-alguma-coisa” ou ainda alguém que não sabe do que está falando. E os que acusam tão veemente as “grandes classes” de serem exclusivas e totalitárias, se mostram iguais, não aceitando alguém que lute por um mundo melhor, assim como eles. E, muitas vezes não se enxerga mais esta prisão moral, que, por mais que lutem para negar, lhes foi imposta pela sociedade, tão naturalmente que nem se deram conta. Resta dizer que, se você não é comunista, você é capitalista. Não adianta negar. O pensamento só tem dois caminhos a serem seguidos, caminhos estes surgidos, estranhamente, só em tempos recentes.E isto leva-nos novamente à rebeldia adolescente, talvez a maior das prisões morais atualmente. Jovens tão preocupados em não se mostrarem influenciados pela mídia que se acorrentam ao outro lado da “cela”, o lado da pretensa imoralidade. E cada vez mais vemos pessoas iguais, tentando parecer diferentes. Então, mijem no Mac Donalds, queimem Bíblias, cuspam no capitalismo. A moralidade agradece, pois precisa também dessa imoralidade para se impor.E poderia continuar a lista de prisões morais indefinidamente, passando desde os intelectuais com seus intermináveis colóquios acadêmicos, abastados de dizeres ininteligíveis e falácia pitorescas, chegando até as igrejas de esquina, adorando o mesmo Deus, mas condenando sempre a igreja vizinha. Mas, por hora, não há necessidade de nisso alongar-me.E retorno ao título do texto. Sim, eu sonho com um mundo melhor. Um mundo onde eu possa me sentar na beira de uma calçada, a hora que eu quiser, sem ser visto como um infrator. Um mundo onde eu possa me vestir com as cores que eu quiser, sem que o empecilho para isto seja a minha preocupação com a moral imposta pelos outros. Sonho com um mundo onde escutar Bach seguido de Sex Pistols não seja considerado o cúmulo do non-sense musical. Mas, infelizmente, penso já estar tão conectado às minhas próprias convicções (outro termo para prisões) morais, que este sonhe se torna impossível...

Por: Lex
(com autorização...)

11.1.06

Para Lígia

Já é tarde, mas o sono ainda não veio. Tento ler o meu livro de cabeceira, não consigo. Desisto.

Não me arrico a pensar sobre o que ainda está por vir, não quero fazer previsões, eu sei que o que tiver que ser será e pronto. Limito-me a pensar no tempo que já se foi. Tantas coisas já aconteceram, tantas dores (todas infinitas), tantas paixões (todas eternas), tantas vitórias (que contentaram-nos por tão pouco tempo), tantas derrotas (que nos deixaram um sabor amargo)... Relembrando tudo, misturando o real com o imaginário, colando as minhas histórias às suas, escrevo.

E aqui escrevo minhas lembranças, com meu próprio sentimento de nostalgia, mas não falo apenas de mim, falo de nós. Não que em outro tempo tenha existido um nós, se existir, será daqui para frente. Mas de qualquer forma, existiu você e existi, eu. Então, sempre houve o nós.

Falo de mim, e falando de mim falo de tanta gente... Quem nunca sentiu uma dor? Quem nunca esteve perdido? Quem por vezes não preferiu um anestésico, ou o contrário disso, quem não quiz um dia encarar tudo de frente, com toda a dor que isso pudesse trazer?

Se você um dia amou com loucura, você está naquilo que eu falo.
Se você um dia teve medo, mas não quiz admitir, você é minha personagem.
Se você quiz fugir do vazio, mas não soube para onde correr, você está nos meus textos.
Se você procura a sua força, a cada dia, é para você que eu dedico cada uma das minhas palavras.

A vida passa tão rápido. E nós, que nos sabemos finitos, temos a possibilidade única de refletir sobre o por quê disso tudo. Por vaidade, preferimos acreditar que a vida é eterna. E é este o meu tema, sim, há muita audácia minha nisso, mas eu escrevo sobre pessoas. Pessoas como eu, como você, como o jornaleiro, como a empregada, como o professor...Há algo de comum a todos nós e acredito que isto é oque chamamos consciência, ou mesmo, incerteza.

Não entendeu? Não faz diferença... Pode ser que você saiba mais destas coisas do que eu, e pode ser que você me ensine o que você sabe.

Eu só queria escrever uma história... Uma história bonita, que falasse de amor e de esperança. Uma história que lhe tocasse, que lhe provocasse, que lhe instigasse. É, eu só queria conquistar você.

Eu queria escrever uma história, em que as coisas não fossem fáceis,em que os dias passassem cheios e rápidos. Uma história de batalhas, de mulheres guerreiras, de gente corajosa e inteligente. Uma história em que ao fim do dia, mesmo quando tudo parece estar errado, fosse possível olhar para o céu e perceber-se infinito como ele.

Eu só queria escrever uma história... A história de uma caminhada, mas com a certeza de um final feliz.

Ligia,

Minha conversa com você fez com que eu considerasse a possibilidade de escrever pequenas notas, nos comentários de cada texto. Uma contextualização para que você e outros leitores pudessem entender o que se passa pela minha cabeça quando escrevo estas histórias. Só não vou contar tudo, porque espero perguntas também, rsrs.
Espero que você goste...
Muita sorte neste ano, muita felicidade e seja bem vinda ao "Estive Pensando".

7.1.06

Vazio e Esperança

Deve haver algum lugar onde é possível que a esperança encontre o vazio.

Me mostra onde é?
Me leva pra lá?
Se você não souber onde fica, pouco importa, apenas me tire daqui.
Me liberta desta angústia
Muda a minha vida, eu deixo...

Porque séra que sempre espero de você aquilo que eu só poderia esperar de mim?

Mas deve haver algum lugar onde é possível que o vazio encontre a esperença.