_ Pára! (com uma faca apontada para ela) Tô de saco cheio das tua pergunta besta!
(...)
_ Tu sabe as resposta das tua pergunta! Tu sabe, mulé, agora num fica me perturbando!
(Ele respira fundo, larga a faca e enxuga o suor da testa com a camiseta)
(...)
_ Ninguém aqui é mais criança, mulé. Tu sabe mior do que eu disso. Tu foi que me fêiz dexá de sê criança, e eu num sô tão agradicido disso, não.
_ Num foi porque eu quiz, num foi... Tu sabe véio, tu sabe!
_ Eu tinha meus pensamento aqui na minha cabeça que eram tudo bom. Eram tudo pra fazê você mais eu feliz. Mas aí tu veio com aquelas história tua... E a minha inocência foi se perdendo, se perdendo e eu nunca mais achei.
_ Num tinha otru jeito... Eu não queria...
_ Num quria, mais tu fêiz. E eu ajudei. Dispois tu fêiz de novo, e de novo, e de novo!
_ Não! Eu num fiz mais!
_ Fêiz sim que eu sei. Nem pediu minha ajuda, mas fêiz.
_ Não! Eu não fiz! Eu não fiz! Não!
_ Agora tu veio com essas história do céu, porque tá cum medo. Porque tá véia já e sabe que num dura muito.
(ela nega, repete seu não em tom de oração durante toda a fala dele, por fim, suas palavras se convertem em pranto).
15.1.06
Brincando de Amarelinha (2)
Posted by Fernanda at 5:02 PM
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2 Comments:
"Tu sabe as resposta das tua pergunta! Tu sabe, mulé, agora num fica me perturbando!"
ei, será q ela tbm não sabe onde as forças se escondem???
:)
texto muito bem escrito...
história bem articulada...
personagens simples e fortes...
como é q vc consegue tudo isso em tão poucas frases????
....
perto do fim, as portas do céu sempre parecem tão próximas...
e, ao mesmo tempo, tão distante...
....
Obrigada, amor... Sua opinião é importante pra mim, vc sabe.
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