26.12.05

As musas


Todo artista precisa de algo que o inspire. Algo que o faça produzir, que o instigue, que o provoque. Um poeta sem inspiração não é um poeta.

Eis que existiu um certo poeta. E ele, como tantos outros, apenas descobriu-se como tal a partir do momento em que encontrou algo capaz de lhe incutir esta ou aquela idéia, este ou aquele pensamento. Entre os poetas é muito comum eleger uma musa inspiradora, àquela a quem eles irão dedicar ao menos parte de suas produções. E com este jovem poeta não foi diferente.

Ele bem que tentou escolher musas reais, algumas de tantas mulheres que preenchiam seu cotidiano, mas elas eram para ele reais de mais, comuns demais e portanto, eram incapases de fornecer a tal inspiração. O poeta também percebeu que mulheres simplesmente inventadas por ele e existentes apenas num plano irreal eram frágeis demais para lhe fornecer aquilo de que ele precisava.

Foi então que o jovem passou a selecionar algumas mulheres reais para posteriormente reinventá-las. Em sua mente, o escritor as moldava, as recriava. Fazia isso minunciosamente, ressaltava suas qualidades e ofuscava seus defeitos e logo ele possuia um grupo de nove mulheres perfeitas: as suas musas.

Quando uma das musas não correspondia às suas espectativas ele as afastava do grupo e logo colocava outra musa em seu lugar. Como ele escrevia sobre as coisas da vida e como não há nada mais vivo que o amor, frequentemente ele se apaixonava pelas musas. Cada uma delas possuía seu lugar num outro mundo,muito diferente do nosso. Um mundo perfeito, onde as cores eram mais vivas, os perfumes mais valiosos, todos eram mais belos e onde a vida era fácil e ao mesmo tempo, feliz. O próprio poeta tinha se encarregado de desenhar cada pedacinho daquele mundo e ele não cansava de repetir, com orgulho: "este é o meu mundo, esta é a minha vida!". Para ele pouco importava se tudo era apenas sonho, neste soho ele tinha um mundo só seu e neste sonho ele era feliz, então ele nem pensava em acordar.

No alto de uma colina daquele mundo inventado, morava uma musa triste. Fazia já muito tempo que ela tinha sido criada e aos poucos ela foi tornando-se amarga. O poeta costumava visitá-la e mostrar a ela como era magnífico aquele mundo. Sentava ao lado dela no ponto mais alto da colina e dizia que tudo aquilo seria dela se ela quisesse. A musa, no entanto, questionava o valor de ter aquele mundo falso. Se ele oferecesse metade do mundo a qualquer uma das outras musas elas já lhe seriam eternamente gratas e pos isso ele nunca entendeu as recusas daquela musa de grandes questionamentos.

Por vezes, Ester (este era o nome da musa que questionava) sentia raiva de seu criador. Sentia-se presa naquele mundo mágico onde era apenas personagem. Ela queria muito mais do que isso, ela queria também ser autora, criadora de sua história.

O escritor amava a cada uma de suas musas com sinceridade e devoção e elas o amavam com a esperança de que um dia poderiam ser únicas naquele mundo. À Ester, ele costumava dizer que era a ela que ele mais amava,mas ela acreditava que ele dizia isto também às outras musas e isto é que lhe tornou amarga, fazendo-a refugiar -se na colina, abdicando-se da companhia das outras musas.

Certo dia, uma das musas resolveu visitar Ester. A musa contou-lhe que ela era invejada por toda a extensão daquele mundo, que todas as outras musas queriam ser especiais para ele como ela era. Esta musa também lhe confessou que a compreendia, a invejava e de certa forma também a odiava, afinal, todas queriam ser amadas como Ester e ela não sabia valorizar isso.

Como as outras musas, Ester também queria ser única, mas para ela, simples palavras não eram suficientes, ela precisava de gestos e de provas. O escritor, no entanto só possuia as palavras e naquele mundo , onde tudo era abstrato, não havia nada concreto como o que Ester desejava.

Depois do contato com a outra musa, Ester percebeu que ele escolheria qualquer uma das outras para viver ao seu lado, porque era mais fácil. Um pequeno gesto e elas sentiriam-se gratas. Ele almejava esta gratidão que Ester jamais manifestaria.

Foi então que Ester resolveu partir. Ela estava presa pelo amor profundo, intenso que a unia ao seu criador. Ela apenas poderia sair de lá se ele a expulsasse, então ela provocou sua ira, sua raiva e ele a expulsou. Manou-a às favas como costumava fazer com quem lhe perturbava. Ela guardou em seu coração cada uma das palavras duras e grosseiras que ele proferiu e se ela conseguisse tranformar aquelas palvras em mágoa, certamente ela não mais voltaria.

A musa que esteve com Ester respirou aliviada ao saber da notícia. Ela sabia que era com muita dor que Ester partia, ela compreenendia seu sofrimento e sentia um sabor acre na boca, mas não pôde evitar um certo sentimento de felicidade. Era menos uma, afinal de contas.

No mundo concreto que sempre desejara, Ester conheceu o sofrimento e presenciou coisas terriveis com as quais jamais sonhara.Mas ela ainda assim sentia-se feliz por estar escrevendo a sua própria história. Foi neste mundo que ela conheceu um amor diferente, que não tinha um mundo para lhe oferecer, que não era tão belo nem tão inabalável, mas ela podia ter a certeza que era real. Neste amor ela sabia-se única. Sabia também que não seria tão enaltecida e que a própria relação não teria ares de perfeição. Mas isso tudo lhe parecia fascinante e , no fundo Ester sabia que apenas assim poderia conhecer a verdadeira, e tão sonhada, felicidade.

Se o grito preso pode tornar-se arte...




Não sou de guardar rancores e este é um grande defeito meu...
Escrevi com letras garrafais e colei por toda a parte asgrosserias que tu me disseste
Tudo isso apenas porque eu não sou de guardar rancores
E porque este é um grande defeito meu.

Roubaste meu pensamento,
Tu me diras que eu é que te ofereci, eu sei
Mas eu apenas quiz que tu os conhecesse,
Não que tu os fizesse teus.

Roubaste o meu amor,
Tu me dirias que não foi culpa tua, talvez
Mas se fosse apenas meu amor que tu tivesses roubado
Eu poderia até acreditar.

Roubaste meu orgulho,
Tu me dirias que eu é que roubei o teu, mentira
Mas tu ainda esperas que eu volte atrás
Como sempre fiz e faço.

Roubaste a minha esperança,
Tu me dirias que estou exagerando, verdade
Mas tu sabes como ninguem que exagerar a dor, o amor, a raiva, o medo..
Rende grandes poemas.

Não escrevo isto para que tu leias.
Escrevo porque é minha essencia e não copio nada de ninguém.
Escrevo para sempre lembrar das coisas que tu me roubaste e não tens planos de devolver.
Escrevo porque não sou de guardar rancores e este...
Este é um grande defeito meu.

1.12.05

A descoberta

Olhou para um lado, depois para o outro. Viu uma multidão e sentiu-se sozinho. A velha e conhecida sensação: solidão. Não fora ela que esteve presente durante toda a sua infância, a adoelescência e não é ela que o espera na velhice? Terceira Idade.

Não, não poderia deixar que a melancolia dominasse mais um dia de sua vida. Seria muito. Seria Abusivo. Tentou então uma aproximação comum. Cotidiana, simples e talvez por isso mesmo, ignorada.

Então funciona? O óleo invisibilizador funciona! Foi provado. Ninguém mais o responde, ninguém mais o percebe, então... Simples, não está sendo visto! Tão óbvio e este tempo todo não havia percebido.

Imagine que coisa maravilhosa. Um produto capaz de fazer qualquer indivíduo deixar de ser notado, qualquer pessoa deixar de ser vista. Pensou que poderia vender a fórmula a uma grande indústria de... Cosméticos? Remédios? Não importa! De qualquer forma tornar-se-ia rico. Rico não, milionário... Melhor ainda! Venderia a fórmula aos terroristas, eles sim sabem como fazer um bom negócio. Eles sim saberiam como usar o produto da forma mais adequada: a destruição completa da humanidade! Porque não? Parece tão apropriado... E não seria nenhum crime, seria piedade. Apenas aproximaria esta massa chamada humanidade do seu terrível, porém inevitável... fim.

Repentinamente teve um lapso. Uma pequena fagulha incendiou seu pensamento. Ele não... Ele não lembrava da fóprmula. Como poderia ter esquecido? Estava ali, era evidente: funcionava! Pegou lápis, papel e calculadora. Refez todos os cáluculos. Precisou de uma tabela periódica. Continuou a calcular. Era possível, ele sabia, ele provara... Passaria o resto de sua vida invisível tentando reencontrar a fórmula, depois fiaria rico. Rico não, milionário e compraria tudo o que quisesse. Mas... Não, não poderia vender a fpormula aos terroristas, eles acabariam com a humanidade e então não faria sentido algum ser milionário. Melhor seria se vendesse a fórmula para os Americanos. Depois pensou... De certo modo ele mesmo também era americano. E se fosse um laboratório? Sim, um grande laboratório... É mais seguro, mais prático e eleainda ficaria com a patente.

Logo alguém aproximou-se dele. E com um sorriso nos lábios disse a antiga frase: "Oi, tudo bem?". "Tudo", foi o que pôde responder. A pessoa saiu, ele ficou, e chorou. Estava tudo acabado, mas não chorou por isso... Acostumou-se a imaginar, montar e desmontar pensamentos, raciocínios, ilusões. Isso tudo já lhe era habitual. Chorou porque mentiu. E naquele momento mentiu para a única pessoa a quem prometera não mais mentir.

30.11.05

re- início

"Acabo de ler teus textos.
Você pode até não entender isto agora, mas você é incrivelmente parecida comigo.
Teu texto me parece meu. Tuas dúvidas, tua subjetividade, tuas reticências...
É tudo meu!
Confesse!
Você roubou isso tudo de mim...
Sério... É tudo tão meu, que só não digo que fui eu que escrevi isso tudo, porque o pouco que eu sei sobre física me diz que é impossível que eu seja você ( por mais que eu acredite nesta hipótese, mas isso já seria o que as pessoas tem chamado de maluquice, e eu tenho tentado provar que não sou maluca)."

Ora, e não foi este o início de tudo?




20.11.05

Aos Amigos Comunistas

Texto do ano 2000... É bom ter cadernos de Anotações, a gente encontra cada coisa...


Um dia desses eu estava tomando banho, mais precisamente ensaboando a barriga, quando subtamente me ocorreu que eu nunca tinha visto uma soja. Nunca! Nem ao vivo, nem pela televisão, nunca! Não faço a menor idéia de que cor, tamanho ou formato possa ter uma soja.

Enxaguei a barriga e após instantes de reflexão percebi que apesar de nuncar termos sido apresentadas eu e a soja somos muito intimas. Sabe o shoyu, aquele molho japonês que não tem gosto de nada ? É, aquele de cor escura! Pois é, tem aqui em casa. A soja está presente também no tofu, aquele queijo que por coincidencia também não tem gosto de nada. Pesquisando em minha mente lembrei também de um óleo de soja, de leite de soja e... Pasmem! Carne de soja! Este último me deixou intrigada, seria então a soja um animal?

Que mistério é este que há por trás dessa coisa que denominam soja? Que pode originar um molho preto, um queijo branco, um óleo amarelo e uma carne marrom?

Só há uma justificativa para tal indignação: a soja é uma farsa! Não existe! Eu sei que a verdade pode ser dura, mas tem que ser dita: a soja não passa de uma mentira que os capitalistas inventaram para empurrar tais produtos artificiais como se fossem naturais! Vamos organizar uma passeata, ou melhor, uma revolução! Isso mesmo! Faça cartazes e grite junto comigo: "ABAIXO A SOJA!".

Você duvida? Então me diga como é possivel fazer leite, carne queijo e óleo a partir de um grão?

Já posso prever o nosso trágico futuro... Eu sei que é triste, mas todos querem que acreditemos que a soja esxiste. Isto porque todos sabem que a natureza está acabando e em breve, a agua acabará e nós beberemos leite de soja, os bichos morrerão e nós comeremos carne de soja. Enfim, tudo será soja!

Todos verão que tudo será feito de soja! E se quer saber, dane-se o petróleo, porque o principal combustível será o óleo de soja!

Você ainda duvida? Então me responda, você já viu uma soja?

1.11.05

Máscaras



No princípio, era como um sonho, e depois, na medida em que se sonhava, mergulhado naquele "mundo", foi-se afastando aquilo a que chamam realidade.

Quando nos damos conta, a "verdade" é a realidade que se está vivendo. É a que conta.

Todos nós resistimos a acordar das ilusões.

Veste-se o "duplo", a máscara então. Por um lado, uma forma de ocultar-se na multidão, e assim, livrar-se das obrigações, repressões e impedimentos da vida, e por outro lado, esconder-se das dores, da sua própria verdade.

Tolice: não saber se libertar dos papéis, das amarras sociais.

A psicanálise se ocupa de quê? De curar ilusões?

Ilusão: engano dos sentidos ou da mente que faz com que se tome uma coisa por outra, que se interprete erroneamente um fato ou uma sensação. Falsa aparencia. Ilusão auditiva. Sonho, devaneio, quimera. Coisa efêmera, passageira. Logro, burla, engano. Invenção. Fantasia. Miragem.

Qual a sua verdadeira face? Anda! Me diz, eu não conto a ninguém, juro.

Transeunstes.. Intermináveis fotogramas de imagens corriqueiras e patéticas. Ares e olhares exultantes e medíocres na sua pose artificial de presença... Simulacros de gente! Todos Vocês!

Retire a sua máscara do cotidiano,
Deixe eu ver você,
Deixe!

Vivamos Todos, o grande Teatro da Vida!
( quem é você que lê minhas anotações inquietas? Quem é você? Revele-se a mim e só então eu posso me revelar a você)

E quando a sua máscara, persona, sobrevive a você? Você sabe? Não, não sabe.. Mas às vezes, a personagem mata a pessoa. É que às vezes, a personagem é tão mais interessante que a pessoa... E tirar a máscara é expor-se ao vazio de ser o que se é.

Máscaras...

Máscara: 1. Objeto de cartão, pano ou madeira, que representa uma cara, ou parte dela, e destinada para por no rosto e disfarçar a pessoa que o põe. 2. Para resguardo do rosto, na guerra ou na esgrima; 3. Molde que se tira do rosto dos cadáveres; 4. Pano fino com que as mulheres escondiam o rosto para ocultá-lo ou proteger a cútis; 5.Dispositivo metálico utilizado para a proteção de operários; 6. Atadura especial aplicada ao rosto como curativo;7. Camada de cosmético que se aplica à pele para o tratamento tópico; 8. Fisionomia, rosto, face; 9. Aparência enganadora, disfarce; 10. Reprodução estilizada de rosto humano ou animal, esculpida em barro, madeira, cortiça, papelão e guarnecida de pêlos, cores, etc. , com que os atores cobrem o rosto, ou parte dele, caracterizando seus personagens; 11. Expressão fisionômica do ator, a qual reflete o estado emocional da personagem que ele interpreta. (...)

A máscara... A máscara que esconde, que protege, que revela, que se confunde com a própria face...
Lembro agora que as crianças de minha família, todas tinham medo de máscaras. Houve um dia, em que João Vítor, então com dois anos de idade, entrou em uma loja de brinquedos e de forma alguma queria sair de lá. Pegamos máscaras, as mais horrorosas que encontramos e vestimos. Ele na mesma hora, correu, para fora da loja. Depois contava que a máscara havia "grudado" , aderido à minha face. Percebe? O seu medo não era da máscara em si, mas de que em um dado momento, eu não pudesse mais me separar da máscara. Ingenuidade? Talvez não...


Olhe para ela, a moça logo ali à sua frente... O que impede de que você, ao olhá-la veja toda a verdade que se encontra nela? A roupa que ela veste? A maquiagem que ela usa? A forma com que ela anda? Como poderia, ela, nua, ainda assim, dissimular? Despida até mesmo do olhar que julga, do olhar do outro, teoricamente, só então ela poderia deixar-se só, consigo mesma.
Pode ser que Platão não estivesse se enganado, pode ser que vivamos no eterno mundo das aparências...


"Pele negra, máscaras brancas" e o colonizado quer, cada vez mais, se parecer com o colonizador para deixar de ser, ainda que apenas aparentemente, um dominado, ou seja, afirma sua identidade, frente a ficção do modelo, e recusa a armadilha das mitologias... Usar a máscara para se afirmar em relação ao outro? A máscara formadora de identidade.

Fingir, falsear, mentir. Mentir para o outro? Ou mentir para si mesmo? " A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer"

E eu? Que máscaras eu uso? Sou como sou vista pelos outros? Sou como sou vista por mim? Quantos são os personagens represento?

É muito mais fácil falar da tal moça logo ali à frente. Àquela, refletida no espelho, como se ela não fosse minha imagem. A simulação da simulação. A máscara aderida à tez. A minha própria pele. A minha própria aparência. Contrária à realidade?

Identidade: o que faz com que eu seja exatamente o que sou? E não a outra, a cópia, a reprodução grosseira que está presa no espelho?

15.10.05

Solidão Escolhida

"Eu sei que estou sendo fraca,
mas eu realmente não posso mais chorar"

10.10.05

Nátali Flor... e eu.

Nátali Flor - ontem eu tomei uma decisão importante: decidi que eh melhor eu ficar sozinha...aqui, no brasil, sempre até no mínimo saber o q vai ser da minha vida. Não quero q um relacionamento afete as minha decisões pro futuro.
Nanda - decidiu que vai ficar sozinha: pronto! Vai se apaixonar...
Nátali Flor - não! Forget it! To falando serio! Não quero! Não eh pra mim... Uma outra vida pra influencia tanto na minha... Nein!
Nanda - eu entendo... Eu sempre fui assim.... Até concordo com você.. Mas... Você não pode mandar no seu destino
Nátali Flor - eu também, mas no fundo sempre esperava encontrar alguém... Agora decidi q meu único alguém é meu anjinho, q já está comigo ha muito tempo.
Nanda - e se mesmo depois desta sua decisão, aparecer um cara muito legal... Você tem que investir nisso!
Nátali Flor - Não! Não quero! Se aparece um cara legal a gente vira amigo e fica feliz.
Nanda - e assim, você deixa a sua vida passar, deixa de aproveitar as oportunidades de encontrar um garoto que te faça feliz, e termina a vida amargurada porque sempre encontrou algo mais importante que o "amor" para se preocupar. Grandes amigos também se casam... Constituem família, sabia?
Nátali Flor - Fer...vc tah querendo me deixar triste? Porque por mais deprimente q seja, eu já decidi...entende? Eu realmente decidi...É raro eu dizer uma coisa com certeza, mas quando digo, é pra valer... Quero ter filhos, mas não marido. Talvez nos meus 50 eu case com um grande amigo pra não passar a velhice sozinha, mas sem amor, só amizade.
Nanda - não quero te deixar triste, eu só acho que eh uma opção muito dolorosa... Também acho q você não precisa ficar com alguém só pra não ficar sozinha.. Mesmo na velhice...
Nátali Flor - É... Eu sei, mas tudo o q me machucaram até hoje é maior do que a dor de ficar sozinha.
Nanda- E a dor do não tentar? A dor de se omitir diante de algo que você poderia encarar de outra forma?
Nátali Flor - Eu já tentei, não deu... Acho que não é pra mim esse negocio d relacionamento a dois. Um homem, uma mulher, vivendo juntos.. .Eu já sou muito até pra eu mesma e enquanto não encontro alguém que me veja, me enxergue, não dá, e ontem vi q nunca vou encontrar.. Porque essa pessoa não existe.
Nanda - o q aconteceu ontem?
Nátali Flor - naquela festa de Sábado... Não aconteceu. Aquele garoto que até a pouco mexia comigo me ignorou todo o tempo. Me tratou com uma indiferença... Com uma frieza, bem ruim mesmo... E me doeu... Me deu raiva, vontade de gritar... E me dei conta de que não é pra mim... Que ele não eh pra mim e q se não eh pra mim eu nem quero lutar para tê-lo... Nem quero tê-lo.
Nanda - E então você resolve ignorar todos os outros garotos do mundo porque ELE tratou você dessa forma horrível? Eu entendo q você não queira mais ir atras dele, e eu concordo com você.... Se ele não se mostrou capaz de te dar valor é hora de largar..
Nátali Flor - Fer, ele foi só o ultimo...
Nanda - se os outros, que vieram antes dele, fizeram o mesmo, eles também não valiam à pena! Mas isso não quer dizer q ninguém vale à pena..
Nátali Flor - Conversei com um italiano q conheci na festa... Ele eh muito, muito legal... E está apaixonado por uma garota... Me contou, como era antes de conhecê-la... Da mulherada que ele saia pegando. Ele não estava nem aí pra elas... E agora que tem essa menina, não quer pensar em beijar outra, não tem vontade. Então ele me explicou que coração e cabeça são coisas separadas do corpo e que ele sabia que mesmo que amasse a ela, e somente à ela, sempre se sentiria atraído por outras mulheres... Tem que ser muito forte.
Nanda - Acredito nisso. E penso que se ele consegue pensar assim deveria tentar um relacionamento aberto. Com amor, com respeito pela mulher dele e com a possibilidade de ficar com outras garotas. Sem mágoa, sem rancor e sem abalar o amor que um sente pelo outro. Sem traição também, que é a pior coisa que pode acontecer num relacionamento. Os relacionamentos, Nátali, acontecem a partir de certas regras e dar certo depende apenas da aceitação mútua destas regras.
Nátali Flor - meu único problema num relacionamento é que tem que existir um outro, entende?
Nanda - Entendo. E isso é um problema, mas também é uma coisa maravilhosa... a vida seria muito simples sem o amor, sem as paixões.. Teríamos uma vida mais disciplinada, mais tranqüila, mais harmoniosa.. E também muito mais entediante.
Nátali Flor - Não... Estar sempre com a mesma pessoa é que é entediante.
Nanda - Sim... E não. Se você pensa que viver com uma única pessoa é muito sem graça,
pode optar por um relacionamento aberto.. Mas sinceramente, eu penso que as pessoas não são estáticas, elas mudam, se transformam o tempo todo e diante dos nossos olhos.. Como pode ser entediante, ver alguém crescendo, se desenvolvendo, criando coisas novas, bem na nossa frente? E ver que tudo pode ter mudado, menos o amor que nos une a esta pessoa?
Nátali Flor - Eu posso até admitir... Isso eh uma fraqueza minha, mostra o quanto sou fraca, mas não sou capaz disso Fer, de viver numa avalanche de sentimentos... Tudo tão intenso, vai acabar me destruindo..
Nanda - Não vai não.. Mesmo as suas fraquezas, vão lhe tornar mais forte.
Nátali Flor - Eu não sei se sou eu q sinto tudo 10 vezes mais forte ou se os outros é que são melhores do que eu... Mas é muito pra mim...É muito.
Nanda - As pessoas simplesmente não se questionam, não se preocupam tanto com isso, simplificam as coisas... E isso não quer dizer que elas são melhores que você, ou piores. Mas quer dizer que você vai sofrer bem mais do que elas... Porque você tem consciência.
Nátali Flor - Eu não vou sofrer mais do q elas. eu to abrindo mão disso. Estou abrindo mão do amor. Não foi fácil... Mas hoje digo com consciência e não me dói mais.
Nanda - Tudo bem.. É uma escolha sua.. Mas eu não consigo não avaliar isso como um ato de covardia.
Nátali Flor - Nem eu... Eu te disse, sei que estou sendo fraca... Sou orgulhosa e luto pelo que quero... Mas quando são sentimentos que estão em jogo, eu admito, não quero mais. Sou fraca mesmo.
(...)
Nanda - Não estou dizendo q você tem q pensar o mesmo que eu.
Nátali Flor - Eu acredito...mas Fer, você consegue manter um relacionamento, eu não. Entende? Eu não sou! Não agüento a dor de perder, não tenho o que se precisa pra ganhar...
Nanda - Também não digo que você precisa mudar de idéia, com relação à sua decisão.
Nátali Flor - eu não vou.. Estou tão leve, feliz e determinada, e sei que vai bater um dia de carência, mas eu vou sobreviver. É só pensar em tudo que eu passei e estaria passando...
Nanda - Você se concentra apenas nas possibilidades ruins.. Mesmo nos seus relacionamentos anteriores.. Nunca houve nada q fizesse ter valido à pena?
Nátali Flor - Tudo valeu à pena... Eu cresci. Eu aprendi. Eu curti o momento, mas eu não curti os outros 50 momentos q se sucederam.
Nanda - E você julga não ter mais nada para aprender com isso?
Nátali Flor - Não... Prefiro continuar burra.
Nanda -hahaha
Nátali Flor - Sério... Desculpe... Mas eu realmente não posso mais chorar!
Nanda - Então eu encontrei algo pra fazer com q você descubra o meu lado chato.. Vou ficar insistindo com estes meus discursos pro resto da vida!!! ( mesmo sabendo que você não vai mudar de idéia por qualquer coisa que eu fale)... Mas, entenda a minha situação: você é a mulher da minha vida... E agora decide que não quer saber de amor? E como EU posso ser feliz assim? Hahaha!
Nátali Flor - Hahahaha... Fer, é diferente... Porque você eu já divido com um homem, eu não vou morar contigo nem dividir conta em banco... Então a gente pode ser feliz pra sempre, entende?
Nanda - Entendo. (...) Sabe o q eh mais estranho?
Nátali Flor - O que ?
Nanda - Eu mesma, nunca poderei ter certeza de quem é o "homem da minha vida".
Nátali Flor - É ... dizem q eh a graça da vida... Pra mim é... Sei lá o que é...
Nanda - Pra você pode ser como uma unha encravada: dói um pouco, mas você arranca de uma vez e pára de doer..
Nátali Flor - Isso!!!!!! Fer, você descreveu perfeito!
Nanda - vc acha que eu nunca pensei como você? Eu escrevi cadernos inteiros pensando nisso!
Nátali Flor - o dedo pode nunca mais ficar perfeito... Mas não dói... E quem liga para as aparências?
Nanda - É..mas acho que todo mundo ainda se importa com as aparências.. Já viu mulher que anda por aí com vestido fininho e com a calcinha marcando? Você nem vê a mulher.. Só vê a calcinha... Se a mulher resolve não usar calcinha pra não marcar, tiram foto... Ela tem ainda que dar declarações publicas.. Explicar o motivo.. Com a Luana Piovani foi assim.. ela teve q dizer aos jornais: " toda mulher deve não usar calcinha, quando o vestido pede". Todo mundo repara em tudo... Não tem jeito.
Nátali Flor - mas não me importo que notem que eu não tenho unha! Pior seria se vissem minha unha encravada... Entende?
Nanda - Sim! Mas eu optaria por substituir a calcinha por uma espécie de short... Já que todo mundo vai ver e falar mesmo.. Que vejam logo algo grande!!!
Nátali Flor - Hahaahahaha! Eu opto por não usar um vestido desses!
Nanda - É sempre mais seguro.. Da mesma forma que não querer mais ninguém, pra não se machucar é bem mais seguro..
Nátali Flor - isso!
(...)
Nanda - eu só consigo aceitar isso porque eu sei que nada na vida é de fato definitivo.
Nátali Flor - Eu também penso assim... Mas é uma coisa dentro de mim.

7.10.05

Pés


Fica aqui a foto dos meus pés. Gosto dela ( que na verdade é o recorte de uma foto)... Pra compensar a minha falta de inspiração...

3.10.05

Paz




Antes de sair, apague a luz
E me deixe em paz, por favor.
Eu vou ouvir a nossa música pela última vez...
Ainda dói.
Nem sei por que.
Mas dói...
Não que eu queira ser sua,
Não que eu não esteja feliz como estou.
Mas quero fazer um pedido
Não venha me contar sobre o seu novo amor.
Eu não quero saber com quem você anda,
Eu não quero ouvir que o que você sentiu por mim já passou
Sei que já te fiz sofrer,
Você também já me fez chorar
Não vou sair por aí gritando pra você voltar pra mim
Você me inspira, e isso basta.

Carta de desamor I


Pensei muito nos últimos dias sobre tudo o que tem acontecido, e por muito tempo hesitei em escrever esta carta, mas hoje ela tornou-se urgente. Ressalto antes de começar, apenas que eu sei que cartas não são cartas se não escritas à mão, mas eu não quis que a minha caligrafia ruim fosse mais um empecilho para que finalmente você me entendesse. Sei bem que isto não é tudo, mas é um bom começo.
Há tempos que eu devia Ter dito todas estas coisas, mas eu não pude, era cedo demais... Aliás, tudo foi cedo demais. As coisas aconteceram muito rápido, e foram se atropelando, e nisso você há de convir comigo. Não foi ontem que eu te conheci? Não, ontem certamente não foi, mas isso faz quanto tempo? Quatro, cinco semanas? Não é cedo para se falar de tantas coisas? Me fiz esta pergunta inúmeras vezes... E por isso é que eu me senti sufocada ( sim é exatamente esta a palavra) naquela Terça-feira, a duas semanas, quando eu estava saindo para fazer a minha prova. Foi porque eu não esperava a verdade assim, tão de repente, tão escancarada. Eu pensei que eu teria muito mais tempo... Eu sempre acredito que tenho todo o tempo do mundo... Afinal de contas, mesmo que eu soubesse, ou nem isso, mesmo que eu imaginasse que você estava sentindo algo por mim, ainda assim, eu poderia simplesmente fingir que não sabia de coisa alguma, e nós continuaríamos amigos, comeríamos pipoca (adoro pipoca- vício), falaríamos de coisas sérias, mas também de frivolidades, e hoje tudo estaria bem. Você estaria mais feliz e eu me sentindo menos culpada. Até que um dia eu esqueceria que em algum momento da minha vida pensei que você gostava de mim, e até mesmo você esqueceria... Sim, porque das paixões nós esquecemos. Especialmente das platônicas. Paixão? Apenas paixão? Exatamente. Eu não poderia deixar de responder... A sua mensagem lembra? Você não me ama... Não sei se algum dia poderá amar, mas não me ama. A gente não ama a quem não conhece, não se ama quem nos machuca, quem não conseguimos entender. Não se ama assim tão rápido, tão logo... Mais uma vez o tempo.
Aprendi poucas coisas sobre amor na minha vida. Aprendi mais sobre o que não é amor. Isso eu sei reconhecer a longas distâncias. Isso fez-me ponderada. Fez-me acreditar na força dos ponteiros que passam incessantemente pelo relógio. Repito: não é ruim que o tempo passe. O que há de verdadeiro sempre permanece. E você não imagina a consciência que eu tinha quando lhe disse isso pela primeira vez. Você não tem idéia de quantas coisas eu deixei para trás quando vim para essa cidade... Coisas em que eu acreditava. E hoje, não sinto a menor falta daquelas que não permaneceram presentes, hoje eu sei que eram ilusões. Não mais que isso.
Eu sou uma ilusão para você. Não mais que uma ilusão. Doce? Atroz? Feroz? Pungente que seja... Tanto faz. Utopia é sempre utopia. Você ainda acredita que um dia tudo pode ser para sempre?
Outro dia desses, eu te enviei uma mensagem. Você estava triste, era uma Sexta-feira, eu disse: "queria poder fazer algo para te deixar mais feliz, mas não posso". Depois deste dia repeti este não posso milhares de vezes, algumas delas para você, muitas outras para eu mesma. Agora eu o explico: sou uma mulher livre, não uso nenhuma aliança, não tenho nenhum papel assinado (e talvez isso eu nunca tenha), não tenho compromisso com ninguém. Sou confusa demais para assumir compromissos. Troque a palavra "confusa" por "volúvel" se quiser, é até um adjetivo melhor para a minha pessoa. Mas ainda assim de coração preso, embevecido, atrelado a uma única pessoa. Meu compromisso é apenas comigo. Posso ser possuída por qualquer um e no máximo eu estaria traindo a mim. Ao que eu sinto. É isso que eu não posso.
Se hoje eu não estou com esta pessoa (meu companheiro, meu amigo e meu amante), é porque nos fizeram como o sol e a lua e existe um universo inteiro nos separando. E também porque a lua é uma mulher, e mulheres têm fases. E hoje eu vivo uma fase em que eu procuro coisas em mim e não nos outros. Descobri que eu preciso antes ser de mim mesma para depois ser de qualquer outra pessoa.
Na sua carta você falou de Sonhos. Irônico porque a alguns dias eu tive realmente um sonho. E não era você quem estava nele. Não foi você quem eu quis naquela noite. Irônico porque naquele dia, quando acordei vi a sua mensagem, você dizia que me amava. Não foi isso? E estas coisas todas foram se somando e aumentando a minha culpa. Aquele "se sentir de plástico" tem muito de culpa. Tem um pouco de indecisão também... De uma hora para a outra eu não soube mais como agir na sua presença. Eu não sabia como te tratar. Não conseguia falar com você como eu falo com os meus amigos (aqueles que eu mais gosto), e era apenas isso que eu queria.
Nos dias em que conversamos estas coisas todas eu me senti ainda pior. Você estava certo, eu estive extremamente tensa. Não conseguia formular uma única frase que pudesse parecer coerente, e quando eu começava a falar, vinha você com as suas perguntas, e mais eu travava. Você nunca percebeu que eu odeio perguntas? Que eu poderia falar tudo o que você precisava ouvir, se você não fizesse pergunta alguma? Desde criança, sempre fui assim. Bloquiei minha língua para os momentos em que eu mais preciso dela. As palavras simplesmente não saíam. A escrita em contraponto fluía facilmente nestes momentos em que a voz falhava. Palavras... Porque apelar sempre a elas? São todas imprecisas, todas inúteis, todas impróprias. Nenhuma delas foi capaz de dizer aquilo que eu queria. Nunca. E a presença constante. Você nem ao menos percebeu que havia outra pessoa no meio da nossa conversa? Alguém que calava a minha boca e me puxava para longe dali o tempo todo?
Eu gosto muito de você, mas não assim, não foi isso que eu quis. Eu acredito muito em amizade, não como as comuns, mas como as verdadeiras, que são poucas, mas por si só já valem á pena. Então seja meu amigo, se puder.... Vou estar sempre aqui. Mas é só isso que eu posso oferecer... Apenas e tudo isso.

Espero sinceramente que isso ponha por terra todas as suas dúvidas.

26.9.05

uma canção e uma saudade

Anos dourados (composição: Tom Jobim/Chico Buarque)

Parece que dizes
Te amo, Maria
Na fotografia
Estamos felizes
Te ligo afobada
E deixo confissões
No gravador
Vai ser engraçado
Se tens um novo amor
Me vejo a teu lado
Te amo?Não lembro
Parece dezembro
De um ano dourado
Parece bolero
Te quero, te quero
Dizer que não quero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais
Não sei se eu ainda
Te esqueço de fato
No nosso retrato
Pareço tão linda
Te ligo ofegante
E digo confusões no gravador
E desconcertante
Rever o grande amor
Meus olhos molhados
Insanos, dezembros
Mas quando me lembro
São anos dourados
Ainda te quero
Bolero, nossos versos são banais
Mas como eu espero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais

25.9.05

Amor

A vida seguia seu curso normalmente. Um dia após o outro, mais nada. Foi então que em um passeio no parque ela viu aquele que certamente seria o homem de sua vida. Foi amor à primeira, à segunda, à terceira, à milionésima vista. Ela amou o modo engraçado como ele caminhava, a forma como o vento bagunçava o seu cabelo, o seu olhar expressivo e principalmete as covinhas que se formavam em seu rosto quando ele sorria.
Não resistiu e fotografou-o inúmeras vezes. Esta foi a forma que encontrou de levar um pouco dele para casa. No seu quarto ficou estudando os contornos do rosto dele e comparando com os seus. De acordo com os cálculos que fizera, a proporção entre os seus narizes e suas bocas era capaz de propiciar um beijo perfeito, do tipo que merece ser repetido pelo resto da vida.
À noite, antes de dormir era nele que ela pensava. Buscava o sono rápido, assim logo chegaria o outro dia e com ele, quem sabe uma nova oportunidade de estar com seu amor. Nasceu um dia lindo e ela acreditou que o sol brilhava só para ela. Foi cedo para o parque, queria ter a certeza de que não chegaria depois dele. Escolheu logo um lugar de onde poderia ver todos que por ali passassem. Sentou e esperou, esperou, esperou, mas ele não apareceu.
Pensou muito e acabou por concluir que ele deveria ir ao parque apenas nos domingos, mas como faltava muito ainda para o proximo final de semana, resolveu que ainda assim iria ao parque todos os dias, para que não restasse nenhuma dúvida.
Durante a semana imaginou o que ela diria a ele no momento do reencontro. Nada do que ela planejava falar pareicia bom o suficiente, mas ele responderia tudo doce e generosamente e isso seria capaz de espantar qualquer medo.
Chegou o domingo, ela passou o dia todo no parque. Ele não veio. O dia inteiro ela passou acompanhando o movimento do sol e alimentando a esperança de que em algum momento, quando ela menos esperasse, ele apareceria. Ela sabia que ele fora predestinado a ela e não cansaria de perseguir o destino que era deles. Não estava apaixonada. Ela o amava, mais que tudo. Morreria por ele.
Veio a noite e com ela o horário em que fechavam o parque. Ela sempre gostou da noite, sentia-se protegida abraçada pela escuridão. Mas naquele momento os braços da escuridão estavam demasiadamente pesados e a abraçavam muito fortemente, sufocando-a, tirando -lhe a vida aos poucos. Quando por fim chegou em casaencolheu-se num canto segurando os próprios joelhos com as mãos, e lá ficou, balançando o corpo para frente e para trás. Por fim adormeceu.
Na manhâ seguinte todos os seus músculos doíam. Chovia muito e ela ficou por horas apenas olhando a goteira que pingava no chão da sala. Pegou mais uma vez as fotos. Observou uma a uma minuciosamente. Foi então que viu um pequeno detalhe na mochila dele. Não pode ver ao certo, mas percebeu que ali havia algo escrito. Correu para a gaveta onde guardava uma antiga lupa. Com ela em mãos conseguiu ler: " Direito - USP". A felicidade voltou a morar em seu rosto. Ela tinha uma nova pista, o destino estava sendo grato a ela, finalmente.
Teve uma idéia e em segundos já estava em frente ao computador. Encontrou-o no orkut. Não cabia em si de tanta alegria. As pessoas constumam entrar nas comunidades dos seus cursos e ela o reconheceu pela foto facilmente. Ricardo era o seu nome. "Ricardo, meu amor!", repetia. Deixou-lhe um recado. Precisou apagar muitas vezes e escrever de formas diferentes, mas por fim optou por algo que julgou profundo: " Ricardo, sinto que nos conhecemos em vidas passadas. Não sei se você acredita em almas gêmeas, mas certamente você é a minha". Agora ela esperaria a resposta dele e depois eles conversariam muito e logo se encontrariam e ele olharia no fundo dos olhos dela e a presentearia com um beijo perfeito, e assim a sua vida estaria completa.
Três semanas se passaram. Ela deixou muitos outros recados a ele, mas ele não respondeu nenhum.
Desde que soubera que ele estudava na USP, habituou-se a passar por lá, vez ou outra. Espiava os horários em que ele saía, em que ele entrava. Chegou até a deixar alguns bilhetinhos para ele no vidro do seu carro. Nos dias em que a poeira acumulava-se nos vidros ela desenhava corações. Quando ele fosse pegar os seu carro ele veria as declarações de amor que ela deixava esaberia que ela não esquecia dele nunca.
Procurou o número dele na lista telefônica e costumava ligar. Não tinha coragem suficiente para puxar um assunto, então desligava assim que ele atendia.
Amou-o profundamente e a cada dia mais e mais. Amou-o com veneração e a ponto de compreender as suas recusas, as suas omissões. O tempo passava e ela já tinha feito quase tudo para chamar a atenção dele. Mas ela já amava-o tanto, já tinha mergulhado tão profundamente neste sentimento que se perdeu em tanto amor.
No dia seguinte levantou muito calma e feliz, banhou-se, perfumou-se. O céu cinzento fez com que ela escolhesse um vestido branco, muito leve.
Dirigiu-se até a universidade ( a dele) e esperou até o horario da saída. Espiou , de longe qunado ele entrou no carro e viu mais uma vez ele pegar velocidade enquanto fazia o retorno. Ela sabia que esta era uma das táticas que ele usava para tentar fugir do trânsito.
Quando ele passou por ela com o carro ela jogou-se contra ele que imediatamente desceu do carro. O sangeu manchou de vermelho o vestido muito branco. Ele ajoelhou-se e olhou profundamente nos olhos dela. Ela ainda teve forças para pedir-lhe um beijo que ele não pode negar. Abaixou-se um pouco mais e deixou que os seus lábios se tocassem. Ela derramou uma única lágrima. Tinha enfim o seu presente. Sua vida estava completa.

15.9.05

Anestésico

_ Não é incrivel como a internet é capaz de aproximar as pessoas? Você vive no seu mundinho e pensa que só você é assim e por isso fica se achando a pessoa mais estranha do mundo... Então um dia você entra na rede e descolbre que no mundo exite muita gente que se sente exatamente como você.. Você descobre que na verdade nunca esteve sozinho...
_Não... Com o passar do tempo você descobre que a internet não é capaz de diminuir a solidão, que nenhum artifício é capaz de fazer com que o vazio se torne menor, e que nada substitui um olhar, um toque, um abraço, um sorriso...
_ Mas então o que você fica fazendo tanto tempo conectado?
_ Eu fico me anestesiando.

(...)



Ela pede mais. Ela sempre quer mais. Aceitaria qualquer coisa que lhe prometessem que poderia fazê-la esquecer. Esquecer de si mesma, e dos amores antigos, aqueles que ela perdeu por não amar.
Uma outra dose. Será a ultima, promete. Desta vez tem que ser a ultima.
Tudo o que ela queria era poder não sentir. Mesmo que a escolha por não sentir dor faça com que ela também não conheça o prazer. Aceitaria todos os entorpecentes, todos os anestésicos.. Tudo.
Cansada do torpe solitário, ela sai a procura de um alguém, um qualquer alguém que possa fazer com que o vazio pareça menor. Então ela dança. Lúbrica: envenena ao primeiro olhar. Logo já está nos braços do estranho dos olhos claros (ou seria efeito da luz?). E ela se faz dele, impudentemente... Num amor suicida, consagra seu corpo àquele alguém sem nome.
E por um instante ela tem tudo. Para no minuto seguinte não ter mais nada. A noite não poderia durar para todo o sempre. O que é bom dura pouco, não é isso que costuma-se dizer? E aquela noite, lasciva, voluptuosa, de alguma forma completa, acabou tão logo!
Ela ainda pode sentir o toque, a boca ávida que sugava seu corpo.
Vai começar mais um dia. Ainda mais vazio que o anterior.. Perto do meio dia irá reler as cartas daqueles amores perdidos. Vai querer saber o que se passa agora na vida de cada um deles... E quando sair às ruas, estará procurando um olhar que corresponda ao seu.
Chegará mais uma noite.. E ela se comportará de forma ainda mais frívola. E ao fim da noite, irá nascer outro dia.
Mas à luz do dia tudo costuma ficar bem mais difícil... É preciso levantar e encarar o espelho. E se possível, ainda reconhecer-se nele.

10.9.05

Redoma de Vidro

Não poderia deixar de colocar este testinho aqui.. Eu sei que todo mundo já viu.. Mas penso que ele é o início de tudo.



A noite estava quieta, nenhum rumor na rua deserta, mas alguma coisa iria acontecer... Dentro de mim algo explodia.... Eu não Sabia o quê, mas eu sabia...
E de repente, me veio novamente aquela sensação...E como das outras vezes, eu me sentia inebriada, fascinada e inexplicavelmente feliz.
Era ela, eu sabia... Eu podia sentir sua presença.. Era uma oportunidade única, e eu não iria perdê-la. Não, eu não poderia perdê-la mais uma vez.
A primeira vez foi acidente, eu ainda me lembro bem, eu tinha então dez anos de idade. O carro, o farol, a bicicleta e o sangue. A Segunda vez, aos vinte anos, foi intencional. O vidro, os pulsos, o sangue. O pior foi acordar no outro dia.... O pior é sempre Ter que acordar.
Mas desta vez seria diferente, esta, certamente seria a última vez....Foram precisos mais dez anos, e agora eu já sabia tudo que precisava saber...Dez, vinte, trinta anos....Agora sim era a hora certa.
Eu sempre vivi nesta redoma de vidro. Apesar da luz, apesar da multidão, eu sempre estive sozinha. Vejo coisas que mais ninguém vê.. Sinto coisas que mais ninguém sente... E para não me machucar é que vivo nesta redoma. Eu não pedi para nascer, também não queria Ter nascido. Este mundo não é o "meu mundo".
Ah, e agora sinto você tão perto, tão perto como nunca senti. Eu não vou deixar você fugir, não vou deixar você passar novamente por mim.
Sim, morrer é uma arte, e nisso eu sou excepcional.
A válvula, o gás. Estou pronta... Venha a morte em vida porque morta estou... vem, toma-me em teus braços, e liberta-me.

8.9.05

Tempo


Era uma vez...
Eu.. Preciso de um tempo.
Naquele tempo...
Eu pensei que isso tudo já fizesse parte do passado.
Persegue-me em cada história.
Mas está aqui!
Está mais vivo do que nunca.
Agora!
Persegue-me também na vida.
Outro dia, pode ser?
Será um ciclo?
Hoje.
Como a lua.
Por que remexer nisso tudo?
Como o fluxo sangüíneo e constante...
Por que tentar reviver o que passou?
A mulher?
Eu sempre me preocupei tanto com o futuro...
O primeiro relógio a acompanhar a morte da lua.
Tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac...
Hora, minuto, segundo
Não realizei nenhum dos meus planos.
Contar, contar, contar, contar, contar, contar..
Nem o meu rosto não é como eu pensei que seria.
Sempre a mesma medida: ininterrupta.
E se eu pudesse..
Enganar.
Máscara nenhuma fará com que tudo volte a ser como era.
Se o prazer pudesse ser a única medida.
Permanece o grito preso.
Se fosse possível deixar-se levar pela simples fantasia.
A teimosa angustia.
Recriar...
Qual o sentido?
A eternidade.


Estive Pensando


Eu também queria ter ido embora pra Pasárgada...
Agora estou tentando, mais uma vez, me agarrar à unica coisa que sei que sempre estará presente: o meu pensamento. Talvez assim, eu possa recriar o antigo hábito: o de não deixar que idéia nenhuma escape.
Só não poso fazer nenhuma promessa. Porque as palavras, se não capturadas na hora certa, fogem muito rápido e nós as perdemos antes mesmo de poder olhá-las mais de perto.